Nos grupos temáticos a
proposta é desenvolver a reflexão e o diálogo em grupo, ampliando dessa forma o
entendimento das dificuldades individuais e coletivas. A partir de conversas e
debates sobre um tema específico, os técnicos têm a função de levantar novas
argumentações e ampliar o universo de referência grupal, oferecendo outras
perspectivas de estar no mundo. Temas referentes a sexualidade, criminalidade,
gênero, etnia, eram semanalmente discutidos com o grupo.
Nas discussões, utilizamos
a câmera com o objetivo registrar e investigar as discussões, para a partir do
vídeo, introduzir a atividade no próximo encontro. Durante as atividades era
revista a discussão anterior, em seguida, debatida e refletida com os
participantes, tendo uma introdução e continuidade do mesmo tema discutido
anteriormente ou livres para outros temas. Utilizamos o vídeo nesta atividade,
como uma ferramenta prática pedagógica. Atuando durante os encontros de discussão,
de uma forma quase ‘neutra,’ já que as falas, os gestos, a ação não eram
direcional a câmera. Quem manuseava a câmera, procurou-se a hora oportuna de
intervir, para a presença da câmera não inibir ou descaracterizar os destinos e
conteúdos das falas individuais e das discussões em grupo.
Neste encontro teve o
retorno das atividades de discussões em grupo, onde foi abordado o tema das
relações sociais das mulheres. Foi discutida a história e a luta das mulheres
por melhores condições de salário e vida. O período discutido foi de 1908 à 1911,
relembrando a onda grevista das mulheres
operárias em uma fábrica têxtil em Nova Iorque. Depois
de alguns meses sem discussões em grupo com os adolescentes, devida as oficinas
de artes. Os encontros eram realizados por dois monitores os quais mediavam e
organizavam as discussões, com os jovens participantes. Para que a discussão
fosse mais próxima da linguagem dos jovens. Procurou uma discussão que permeava
na relação do homem e da mulher, observada pelo cotidiano dos jovens em suas
casas e na comunidade.
Oficinas São Paulo é uma escola
Nesta
oficina tentou-se entrar mais especificamente no tema das oficinas “São Paulo é
uma escola”, que propõem o ensino da arte nos espaços freqüentado por jovens. O
objetivo é investigar e criar um vídeo dos jovens que freqüentam as atividades,
sendo os mesmo jovens os realizadores.
Nesse
primeiro encontro, falamos da proposta de estar registrando as oficinas de
artes plásticas, graffite, break e rima.
Mostraram-se nas oficinas de vídeo, obras
realizadas pelos grupos anteriores. Realizamos cinedebates, onde assistimos e
discutimos vídeos e documentários, tais como: Filhos do Trem, trabalho infantil nos trens Metropolitano
de São Paulo; Amanhã, documentário
com diversas visões sobre o fim do Mundo; NãoTrem
documentário sobre o fim dos trens de passageiros no interior de São Paulo; Intercambiando, relatado anteriormente e Cidade
do Sol.
A partir de um roteiro construído em cada
inicio de encontro, registravam-se o processo das oficinas. No final de cada encontro,
assistíamos o material captado, discutindo cada imagem, selecionando algumas
para a montagem.
O
vídeo começa tocando uma música de tambor, com imagens variadas das oficinas,
do projeto e da comunidade.
Na oficina
de Artes Plástica foi desenvolvido um roteiro com as seguintes perguntas e
respostas:
Lucas:
O que você vê nesses materiais reciclável?
Adriano:
Eu vejo um futuro para grandes pessoas.
Lucas:
E sobre o ambiente?
Adriano:
O ambiente é muito importante pra gente, por que se um dia o meio ambiente vier
a fali, pode acabar o oxigênio pra gente, a gente pode até chegar a morrer.
Michel:
O que a arte significa pra você, meu colega?
Adriano:
A arte significa diversão, futuro e imaginação.
Lucas:
Qual a importância da arte para você jovem?
Daniella
(educadora): É importante desenvolver a percepção estética, artística, por que
por meio dela a gente consegue descobrir outras coisas em relação a nós mesmo,
e em relação ao outro.
Oficina
Break
Cauene:
Como é aprender o Break?
Banks
(educador): Você só vai aprender música, se você sentir música, não se sente
música de braço cruzado, com a mão pra traz.
Oficina
de Graffite
Allan:
O que te levou a fazer graffite?
Cauene:
Eu costumava a não fazer nada, aí eu colei no projeto, conheci o professor e
comecei a fazer.
Lucas:
Qual seu pensamento dessa oficina?
Rosiel:
Quando eu faço a letra, eu acho da hora, porque você muda os pensamentos, você
escreve, você não fica num pensamento de maldade, você fica concentrado ali.
Lucas:
Qual o significado em seus traços?
Rosiel:
Significa o aprendiz de novas letras, aprender a escrever diferente, Duplica a
sabedoria, começa a escrever coisas que quase ninguém sabe.
Oficina
de Rima.
Robison
(educador): A rima tem uma combinação entre duas palavras de combinação igual
ou de som igual. Quais são as duas palavras que estão somando igual no rap
dele?
Falar
é fácil, fazer é foda,
Falar
é fácil, a política me incomoda.
O
vídeo finaliza com trechos de um videoclipe realizado durante as oficinas. Pelo
que pode observar, por ser um vídeo institucional, sai dos padrões, e se tem um
processos colaborativo dos agentes envolvidos, alguns adolescentes tem o olhar
para todo o processo, que são os que freqüentam outras oficinas, outros a
utilizam mais para sua curiosidade pessoal.
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